MATÉRIA DO JORNAL ACRÍTICA -MANAUS-AMAZONAS

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NA NATUREZA NADA SE PERDE,TUDO SE CRIA TUDO SE TRANSFORMA..Lavossier.....

terça-feira, 15 de janeiro de 2013


ART E  ECOLOGICAMENTE CORRETA
Ilustrador Haroldo Ayres apresenta saída encontrada para manter o projeto Reciclarte e resgata trajetória.
Em um único quadro feito pelo artista plástico Haroldo Ayres nota-se a presença de diversas manifestações artísticas - do traço inicialmente feito a lápis, passando pela colorização com giz de cera (ou lápis de cor), até o acabamento pirografado. Mais que isso, as obras do técnico especializado em ilustrações científicas também “transpiram” ciência e isso não apenas por causa dos nomes científicos das espécies, nesse caso, utilizados para batizar as peças. O papel que recebe essas criações também tem origem peculiar: é fabricado por ele.
“Esse projeto que conduzo o Reciclarte, foi criado há mais de 20 anos. O objetivo era reutilizar matérias como MDF, gesso, madeira, pedra e até película de raio-X, entre outros, para servir de base para as minhas obras”, disse. “Quando percebi que ficou difícil conseguir esse material, pensei ‘porque não fazer meu próprio”? ’. Daí em diante, me informei com algumas técnicas de produção de papel reciclável e iniciei o processo, complementou Ayres.
Devidamente aperfeiçoada por Haroldo, a técnica, que também é lecionada no ateliê, tem como objetivo principal instruir as pessoas a reutilizar restos de alimentos e outros itens. “Temos papel feito na casca de cebola, capim-tiririca, couve, casca de macaxeira, enfim, tudo o que tiver fibras para dar resistência. O resultado é biodegradável, por conta de ausência de produtos químicos pesados, pois utilizamos apenas o que já esta na cozinha”, ressaltou.
De forma breve, Haroldo explicou, por meio de demonstração, que em uma mistura de água com goma e filamentos de papel é despejada certa quantidade de ‘matéria prima’ – “Essa aqui contém capim-tiririca e saco de cimento”. O passo seguinte, após mexer por alguns segundos, é levar ao fundo do vasilhame uma tela de silk-screen. “Esse material que fica na tela vai para secagem”. Já é nosso papel, acrescentou, ao dizer que esse ultima estágio demora de 24 a 72 horas. “Tem de se tomar cuidado com o vento e sol intensos, pois isso influencia na qualidade do papel”.
Com aspecto rústico, a folha tem pouca resistência à água (o que a torna facilmente degradável). Apesar disso, enquanto seca é bem resistente. “Esse é o ponto certo”, assegurou, baseando-se na premissa do químico francês Antoine Lavoisier de que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
VERSATILIDADE
Prestes a completar 60 anos, Haroldo desenvolve cursos e oficinas relacionadas a todas as técnicas dominadas por ele. A pirogravura, inclusive, rendeu-lhe nomeação como membro da Associação de Pirografistas Profissionais Internacionais.
“É uma das habilidades artísticas mais antigas da humanidade. Eu trabalho com ela sobre superfícies mais rígidas (MDF, madeira) e delgadas (papel, película de raios-X, calendários)”. Exemplificou.
Para isso, ele adaptou um equipamento próprio para eletricista, utilizando-se de componentes de chuveiro elétrico da casa onde reside. “Com as resistências em contato eu vou contornando o desenho e fazendo acabamento”, explicou.
Outra aula conduzida por ele é sobre pintura com lápis de cor. “Percebi que meus netos, sobrinhos e afilhados, por conta desse avanço tecnológico com computadores e smartphones, deixaram de lado essa tradição. Tenho quadro para vendas pintado dessa forma e ofereço oficinas com esse tema”, informou. “É uma iniciativa muito simples, mas com resultados gigantescos, enquanto há outras com investimento astronômico cujos frutos ninguém ver por aí”, finalizou o artista. 
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